Introdução à Semântica – Fenômenos Semânticos

A Semântica é a área da Linguística que, tradicionalmente, dedica-se ao estudo do significado das palavras e, como consequência, analisa a forma como expressamos e entendemos conceitos e ideias. Aqui tralharemos alguns fenômenos fundamentais de Semântica.

SIGNO LINGUÍSTICO

Um signo linguístico pode ser definido como algo que representa algo. É composto por um significante (ou imagem acústica) e por um significado (conceito). Por exemplo, ao lermos ou pronunciarmos a palavra “casa”, somos imediatamente direcionados ao que tal signo representa, isto é, ao que entendemos por “casa”. Nesse caso, a grafia ou o som seriam os significantes que nos levaram ao conceito: lugar onde uma família reside.

SINONÍMIA E ANTONÍMIA

A sinonímia é o processo semântico caracterizado por duas ou mais palavras possuírem significados semelhantes. Casa, domicílio, lar… seriam sinônimos entre si, assim como feliz, alegre, contente… De forma mais abrangente, poderíamos dizer que a sinonímia ocorre quando duas palavras podem ser mutuamente substituídas em determinado contexto. Analisando as frases “Ficou contente com o acontecimento” e “Ficou feliz com o acontecimento”, os termos em destaque são sinônimos, porque foram usados, oportunamente, para transmitir a mesma ideia. Pensar em contexto é interessante para observarmos que dificilmente a sinonímia é plena. Depende, justamente, da situação comunicativa, já que as palavras não poderão se substituir mutuamente em todos os contextos. Usando as mesmas palavras do exemplo anterior, olhemos as frases “Aquele foi um momento feliz” e “Aquele foi um momento contente”. Nesse caso, a sinonímia não ocorre devidamente, pois “contente” não parece ser adequada para qualificar “momento”.

De modo geral, a antonímia é o processo semântico oposto à sinonímia. A formação de antônimos se baseia na relação de oposição que as palavras podem apresentar em determinado contexto. São considerados antônimos entre si os pares “novo-velho”, “alegre-triste”, “alto-baixo”, “bonito-feio”… Vale salientar que uma única palavra pode apresentar vários antônimos, a depender da quantidade de significações que ela abarque. É o caso de “vazio”, por exemplo. Esta palavra pode possuir os antônimos: “cheio”, em “copo vazio”; “sábio”, em “homem vazio”; ou “pleno”, em “sentir-se vazio”. Assim como não há sinônimos perfeitos, também não existem antônimos perfeitos, salvo em um número reduzido de casos.

HIPERONÍMIA E HIPONÍMIA

A hiperonímia e a hiponímia são fenômenos semânticos que se baseiam na hierarquia entre palavras e significados. Derivam de uma relação lógica e ocorrem quando uma palavra incorpora o significado de outra. Em geral, os hiperônimos são palavras genéricas (amplas) e os hipônimos, palavras mais específicas. Para que fique claro, vejamos exemplos: “ser vivo” e  “homem” estabelecem uma relação hierárquica, uma vez que “todo homem é um ser vivo”. Assim, nesta relação, “ser vivo” é hiperônimo e “homem”, hipônimo. Da mesma maneira, “goiaba” e “manga” são hipônimos de “fruta”, que é o hiperônimo. Perceba-se que um termo pode ser hiperônimo em determinado caso e hipônimo em outro. Por exemplo: animal é hiperônimo de cachorro, porque todo cachorro é um animal. E animal, ao mesmo tempo, é hipônimo de ser vivo, porque todo animal é um ser vivo.

POLISSEMIA X HOMONÍMIA

A polissemia e a homonímia são fenômenos que muitas vezes se confundem. Entretanto, apresentam diferenças marcantes. Aqui tentaremos distingui-los.

Veja bem: a polissemia é um fenômeno semântico em que uma palavra passa a apresentar múltiplos significados, a depender do contexto em que é utilizada. Na verdade, o significado inicial sofre uma expansão e a palavra se transforma. Geralmente, os novos significados que ela adquire nos remetem ao significado básico e, por esta associação lógica, evidencia-se a polissemia. Como exemplo, vejamos as frases: “Ontem vi uma estrela cadente”; “Aquela cantora se tornou uma estrela”.  Podemos perceber que no segundo caso, “estrela” significa “pessoa famosa, de grande notoriedade”, justamente porque “estrela”, em sentido denotativo, é algo notável, que se destaca no céu, que possui luminosidade. Outro exemplo ocorre com a palavra “rede”, em “estava deitado na rede” e “faço parte de uma rede social”.

A homonímia, por outro lado, é um processo léxico-semântico em que duas palavras distintas (com significados também distintos) possuem grafia e pronúncia iguais. Ocorre homonímia, por exemplo, em “manga (fruta) e manga (de camisa)”, “como (do verbo comer) e como (conjunção comparativa)”, “real (relativo aos reis) e real (relativo à realidade)”, “banco (instituição financeira) e banco (de praça)”, dentre muitos outros casos. É necessário entendermos que a homonímia se dá com palavras distintas, com significados completamente distintos, que em determinado momento da língua passaram a ser grafadas da mesma maneira. Na polissemia, é uma única palavra que se expande, apresentando significados diferentes, mas que guardam resquícios do sentido original.  Na prática, para nos certificamos de que realmente se trata de um caso de homonímia, podemos consultar a origem etimológica das palavras (em alguns dicionários específicos). Diferente da polissemia, homônimos possuem origens distintas.

CAMPO LEXICAL E CAMPO SEMÂNTICO

Campo lexical e campo semântico são termos distintos mas diretamente relacionados. Um campo lexical é o conjunto de palavras utilizado para configurar uma ideia, um pensamento, uma noção. Pode designar até mesmo uma pessoa. Como exemplo, podemos levantar o campo lexical de “Internet”, isto é, o conjunto de palavras relacionadas a ela e que nos ajudam a descrevê-la. Campo lexical de Internet: site, blog, rede social, link, navegação, rede etc.

O campo semântico é o conjunto de significados que uma palavra pode assumir. É justamente o que faz um dicionário ao descrever um verbete. Levantar o campo semântico da palavra casa seria, portanto, listar seus significados. Campo semântico de casa: local de habitação; moradia; construções onde reside uma família; domicilio; estabelecimento comercial ou industrial etc.

Do que foi dito acima, podemos perceber que o campo lexical relaciona-se a um conjunto de palavras enquanto o campo semântico relaciona-se a um conjunto de significações.

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