Musicais: O Baile

O BAILE [LE BAL] (Itália/França/Argélia, 1983)

Direção: Ettore Scola
Roteiro: Jean-Claude Penchenat, Ruggero Maccari, Furio Scarpelli, Ettore Scola
Música: Vladimir Cosma
Coreografia: D’Dee
Elenco: Nani Noël, Liliane Delval, Chantal Capron, Étienne Guichard, Marc Berman, Jean-François Perrier

Quase cinquenta anos da história da França (da década de 30 à década de 80) contados apenas pela interação entre os frequentadores de um salão de baile, embalada por canções representativas de cada época, sem diálogo algum. Falando assim pode parecer entediante. Mas não é.

O Baile nos mantém o tempo todo com um sorrisinho bobo no rosto que, quando não evolui para uma gargalhada, cede lugar a uma ou outra lágrima discreta.

Do surgimento da Frente Popular ao sucesso da música disco, passando pela Segunda Guerra, a invasão da cultura americana e a revolução de 68, no salão predomina um sentimento universal de solidariedade, comunhão e esperança. A excelente trilha sonora (composta de hits dos diferentes momentos históricos), unindo as personagens em seus passos de dança desastrados e enternecedores, só faz fortalecer esse sentimento. Há Maurice Chevalier, Ary Barroso, The Beatles, Ottawan…

Vale citar a cena em que, no final dos anos 30, quando uma autoridade chega ao salão e manda parar a música, todos batem os pés sonoramente e continuam a dançar em protesto. Também aquela em que um homem retorna sem uma perna após a libertação de Paris e, seguindo uma pausa triste, o baile é retomado quando a esposa o enlaça e o faz dançar aos pulinhos, sem as muletas, uma canção alegre.

A transição entre as épocas se dá sempre por um clique que congela a dança e situa os bailarinos em uma das várias fotos na parede do salão: é o que resta de seus dias e amores, como na letra de Trenet.

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