Poemas de Affonso Manta

Lá vai Affonso Manta

Com estrelas na testa de rapaz,
Com uma sede enorme na garganta,
Lá vai, lá vai, lá vai Affonso Manta
Pela rua lilás.

Coroa de alumínio sobre o crânio,
Lapelas enfeitadas de gerânios
E flechas no carcás.

Manto florido de madapolão,
Bengala marchetada de latão,
Desfila o marechal,

O rei da extravagância, o sem maldade,
O campeão da originalidade
O peregrino astral.

O Príncipe Louco

para Ângela Roberto

Acendeu uma rosa na cabeça
E saiu a dançar, iluminado,
Aquelas valsas tristes do passado,
Dizendo: “Que a aflição desapareça!

Eu sou a profecia que não erra.
Eu sou o rei ungido e coroado.
Eu vou fazer o sol ficar parado.
Eu vou inaugurar a paz na terra.

Eu, o príncipe louco da Bahia,
Vou reestabelecer a monarquia,
Num transe de poesia verdadeiro”.

E foi pela cidade a declamar:
“Algum dia o sertão vai virar mar!”
Como se fosse Antonio Conselheiro.

Affonso Manta

Poemas extraídos da Antologia Poética. Seleção e organização de Ruy Espinheira Filho. Salvador: Assembleia Legislativa; Academia de Letras, 2013.

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