Resumo da Obra “Para a Crítica da Economia Política” – Introdução e Prefácio

Obra: MARX, Karl. Para a crítica da economia política. In: ______. Os pensadores: Marx. São Paulo: Abril Cultural, 1985.

Introdução [à Crítica da Economia Política]

Karl Marx analisa a produção material e sua relação com o consumo, a distribuição e a troca (circulação). Ele afirma ser errônea a visão do indivíduo como conforme à natureza (em oposição ao indivíduo como resultado histórico) e classifica a consolidação da sociedade burguesa no século XVIII como o ápice do desenvolvimento das relações sociais.

Marx aponta a necessidade de distinção entre a produção em geral, os ramos de produção particulares (a agricultura, a pecuária, a manufatura) e a totalidade da produção. Criticando os economistas de sua época, comenta a tendência daqueles a representar a produção “como regida por leis naturais, eternas, independentes da História; e nessa oportunidade insinuam-se dissimuladamente relações burguesas como leis naturais, imutáveis, da sociedade in abstrato”.

Antes de analisar a relação geral da produção com a distribuição, a troca e o consumo, Marx julga necessário considerar o modo como os economistas de seu tempo explicam essa relação: “A produção cria os objetos que correspondem às necessidades; a distribuição os reparte de acordo com as leis sociais; a troca reparte de novo o que já está distribuído segundo a necessidade individual; e finalmente, no consumo, o produto desaparece do movimento social, convertendo-se diretamente em objeto e servidor da necessidade individual, satisfazendo-a no desfrute”.

O autor afirma então a igualdade entre produção e consumo: a produção é consumo na medida em que o indivíduo gasta suas faculdades no ato da produção e produzir é consumir a matéria-prima e os meios de produção utilizados; o consumo é produção na medida em que o produto não se torna produto efetivo senão no consumo e o consumo cria a necessidade de uma nova produção.

Marx salienta que a produção engendra o consumo de três formas: fornecendo-lhe o material, o objeto; determinando o modo de consumo; e gerando no consumidor a necessidade dos produtos.

No que se refere à distribuição, Marx nega a noção geral de que ela seja afastada, independente da produção. Isso porque não se trata apenas da distribuição de produtos, mas antes da distribuição dos instrumentos de produção e dos membros da sociedade pelos diferentes tipos de produção. Nesse sentido, a distribuição é também um fator da produção.

Marx conceitua a circulação como a troca considerada em sua totalidade e classifica a troca como um momento da produção (na medida em que ela é momento mediador entre a produção e o consumo e este último também integra a produção).

Em seguida, Marx ressalta que o método cientificamente exato da Economia Política é aquele que parte do complexo para chegar ao simples e depois retorna ao complexo. Observa ainda que, assim como a anatomia do homem é a chave da anatomia do macaco, a sociedade burguesa é a chave de todas as formas de sociedade anteriores a ela. E é a hierarquia das relações econômicas no interior da sociedade burguesa que ele pretende examinar.

Prefácio [Para a Crítica da Economia Política]

No prefácio da obra, Marx declara considerar o sistema da economia burguesa nesta ordem: capital, propriedade fundiária, trabalho assalariado; Estado, comércio exterior, mercado mundial; e logo comenta o resultado geral a que levou seu estudo crítico da filosofia do direito de Hegel (o qual serviu de fio condutor aos seus estudos subsequentes): “na produção social da própria vida, os homens contraem relações determinadas, necessárias e independentes de sua vontade, relações de produção estas que correspondem a uma etapa determinada de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. A totalidade destas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta uma superestrutura jurídica e política, e à qual correspondem formas sociais determinadas de consciência. O modo de produção da vida material condiciona o processo em geral de vida social, política e espiritual. Não é a consciência dos homens que determina o seu ser, mas, ao contrário, é o seu ser social que determina sua consciência […]”.

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