Resumo do texto “Educação? Educações: aprender com o índio”

Obra: BRANDÃO, Carlos Rodrigues. O que é Educação. São Paulo: Brasiliense, 1995.

Texto: Educação? Educações: aprender com o índio.

Ideia Inicial
O texto de Brandão nos leva a refletir sobre a pluralidade do termo “educação”, a começar pelo título. Como a educação integra as práticas sociais de diferentes grupos, é possível entender, assim, a sua diversidade. Educações, sim, um conjunto de processos que constituem o nosso dia a dia. Em cada experiência cotidiana, deparamo-nos com a educação, isto é, lidamos com o ensino e o aprendizado.

Argumentação

Há alguns anos, os estados americanos de Virgínia e Maryland assinaram um tratado de paz com os Índios das Seis Nações. Em seguida, os governantes propuseram a esses índios que mandassem alguns de seus jovens para estudar nas escolas dos brancos.

Os índios agradeceram o convite, mas o recusaram. Enviaram uma famosa carta como resposta, da qual foram extraídos os seguintes fragmentos:

Aqueles que são sábios reconhecem que diferentes nações têm concepções diferentes das coisas e, sendo assim, os senhores não ficarão ofendidos ao saber que a vossa ideia de educação não é a mesma que a nossa.

Muitos dos nossos bravos guerreiros foram formados nas escolas do Norte e aprenderam toda a vossa ciência. Mas, quando eles voltavam para nós, eles eram maus corredores, ignorantes da vida da floresta e incapazes de suportarem o frio e a fome. Não sabiam como caçar o veado, matar o inimigo e construir uma cabana, e falavam a nossa língua muito mal. Eles eram, portanto, totalmente inúteis.

Interpretação

Os fragmentos da carta elucidam que “não há uma forma única nem um único modelo de educação; a escola não é o único lugar onde ela acontece e talvez nem seja o melhor…”. Assim, devemos ter em vista que são diferentes os processos educacionais em virtude da diferença entre as comunidades e do modo como funciona socialmente cada uma delas.

A educação pode ser uma forma “de tornar comum, como saber, como ideia, como crença, aquilo que é comunitário…”. Por meio dela, podem-se transferir, de geração a geração, os diversos conhecimentos que caracterizam uma sociedade, a maneira como ela interpreta a realidade, seus códigos e símbolos culturais, suas regras e condutas etc.

A força da educação

Para o autor, a força da educação estaria relacionada justamente a sua capacidade de “produção de crenças e ideias, de qualificações e especialidades que envolvem as trocas de símbolos, bens e poderes que, em conjunto, constroem tipos de sociedades”.

A sua fraqueza 

Por outro lado, possui uma fraqueza: “o educador imagina que serve ao saber e a quem ensina, mas, na verdade, ele pode estar servindo a quem o constituiu professor, a fim de usá-lo, e ao seu trabalho, para os usos escusos que ocultam também na educação – nas suas agências, suas práticas e nas ideias que ele professa – interesses políticos impostos sobre ela e, através de seu exercício, à sociedade que habita”.

Conclusão

Das declarações dos índios, temos um exemplo de que a educação, encarada geralmente como meio de transformação social, pode também “deseducar”. A inadequação de um modelo educacional às necessidades de determinada sociedade pode resultar no contrário: a formação de indivíduos totalmente inúteis.

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