Resumo do texto “Modo de endereçamento: uma coisa de cinema; uma coisa de educação também”

Obra: SILVA, Tomaz Tadeu da (Org.). Nunca fomos humanos: nos rastros do sujeito. Belo Horizonte: Autêntica, 2001.

Texto: ELLSWORTH, Elizabeth. Modo de endereçamento: uma coisa de cinema; uma coisa de educação também.

Modo de endereçamento é um termo dos estudos de cinema que pode ser definido pela seguinte pergunta: quem este filme pensa que você é?

Elizabeth Ellsworth aborda alguns possíveis significados do modo de endereçamento: 1) algo inerente ao texto do filme e que age sobre o espectador; 2) um evento resultante da interação entre o texto do filme e o espectador; 3) um conceito que pode ser aplicado também a outras áreas (educação, estudos culturais, psicanálise).

Os produtores de determinado filme idealizam o tipo de indivíduo para o qual sua obra é endereçada. Essa idealização deixa marcas intencionais e não intencionais ao longo do filme. Assim, um filme seria composto não apenas de imagens e de trama, mas também de uma estrutura de endereçamento voltada para um espectador idealizado.

Acertar o alvo (ou seja, atingir o tipo de público que se havia imaginado) pode ser bastante complicado, na medida em que o espectador nunca é exatamente quem os produtores pensam que ele é – e tampouco quem ele próprio pensa que é. O filme, por sua vez, também não é exatamente o que seus produtores pensam. Dessa forma, pode-se dizer que existem múltiplos modos de endereçamento em um filme.

Segundo a autora, as estruturas de endereçamento de certos filmes “podem contribuir para relações desiguais de poder e para a formação inconsciente de subjetividades específicas”. Similarmente, filmes alternativos (em oposição a filmes hollywoodianos) poderiam produzir mudanças sociais benéficas. Muitos deles, porém, por serem difíceis de assistir, negando ao espectador os prazeres simples do ato de ver filmes, terminam por não concretizar tal potencial.

Os teóricos do cinema reconhecem que diferentes espectadores interpretam o mesmo filme de maneiras diferentes e até opostas. Os estudos acadêmicos do ato de ver filmes, no entanto, mais do que identificar este ou aquele modo de endereçamento, intentam encorajar o desenvolvimento de um olhar crítico, capaz de resistir à reprodução em massa de preconceitos e estereótipos nas telas.

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