Musicais: Os Saltimbancos Trapalhões

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES (Brasil, 1981)
Direção: J. B. Tanko
Roteiro: J. B. Tanko e Gilvan Pereira (baseado na peça teatral Os Saltimbancos, de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, com tradução e adaptação de Chico Buarque)
Música: Chico Buarque, Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov
Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Lucinha Lins

Fruto da improvável parceria entre Chico Buarque e Os Trapalhões, Os Saltimbancos… alia a singeleza da trupe (em seus tempos áureos) ao brilhantismo das canções.

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Gil: Sempre Luminoso

Gil Luminoso, lançado em 2006, é, sem dúvida, um dos melhores álbuns de Gilberto Gil. Reunindo 15 canções, de diversas fases do compositor, o disco tem uma atmosfera triste, que nos convoca à reflexão desde a concepção gráfica à profundidade das letras.

Com arranjos de voz e violão apenas, grandes sucessos – merecidamente aclamados pelo público e pela crítica – expressam novos sentidos. É o caso, por exemplo, de Tempo Rei, Rebento e Aqui e Agora. Contemplamos Gil “despido”, propício a receber todas as energias do Cosmos aleatório e incompreensível, por meio de sucessivas gradações de som e silêncio.

Ouvir Gil Luminoso é uma atividade espiritual e filosófica porque ele versa, em suma, sobre a complexidade do ser e suas possibilidades de transcendência. Privilégio da música brasileira, Gil é sempre luminoso.

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A Verdade Inventada em Mutum

Em Campo Geral, novela publicada em 1956, João Guimarães Rosa retrata com lirismo e sensibilidade únicos o universo infantil de Miguilim, menino que vive no Mutum, local isolado no sertão de Minas Gerais. O autor concentra a narrativa no olhar atônito de Miguilim sobre o que se passa à sua volta e em suas tentativas de compreender os absurdos da vida.

Mutum (2007), primeiro filme de ficção da documentarista Sandra Kogut, procura recriar visualmente a história de Miguilim, mantendo certos aspectos essenciais da novela. A tarefa é complicada. Sandra, no entanto, acerta ao afirmar que o filme é uma conversa com o livro de Guimarães Rosa, e não uma tentativa de adaptação fiel (o que, em última análise, seria impossível).

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Roberto Mendes: Tradição e Tradução

“A gente só se encontra no outro. Vivemos numa encruzilhada porque vemos a imagem refletida, não a imagem real. A palavra comum aprisiona; a poesia liberta.”

Esses pensamentos expressam parte da visão de mundo de Roberto Mendes – um dos maiores expoentes da música do Recôncavo Baiano.

“é chula de Santo Amaro, palma de bater na mão”

Entre uma e outra reflexão profunda, chamam nossa atenção sua desconcertante simplicidade, seu jeito e riso santo-amarenses. Só pode ser assim quem verdadeiramente vive Santo Amaro. Isso mesmo: vive como transitivo direto.

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Musicais: Cabaret

CABARET (EUA, 1972) 
Direção e coreografia
: Bob Fosse
Roteiro: Jay Allen (baseado no musical Cabaret, de John Kander, Fred Ebb e Joe Masteroff)
Música: John Kander e Fred Ebb
Elenco: Liza Minnelli, Joel Grey, Michael York, Helmut Griem

Na Berlim do começo dos anos trinta, em plena ascensão nazista, a americana Sally Bowles (Liza Minnelli) trabalha como cantora no Kit Kat Club e sonha com fama e fortuna. Ao longo do filme, Sally forma um estranho triângulo amoroso com o acadêmico inglês Brian Roberts (Michael York) e o aristocrata alemão Maximilian von Heune (Helmut Griem).

Mas nada disso importa. Ou melhor: nada disso teria a força que tem, não fossem os bizarros números musicais apresentados no palco do Kit Kat Club. O Kit Kat Club, por sua vez, não seria o mesmo sem Joel Grey como Mestre de Cerimônias. Se a vida é um cabaré, Joel é o deus malévolo que rege o espetáculo – um deus de pó de arroz, batom vermelho, bengala e gravata-borboleta.

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