A Linguagem da Literatura – Manoel de Barros

Manoel de Barros. Nascido no Mato Grosso, em 1916, Manoel de Barros já figura entre os mais representativos poetas da Literatura Brasileira. Situada no Modernismo (ou na “vanguarda primitiva”, como o próprio autor gosta de situá-la), sua obra destaca-se por um lirismo que nos emociona, pelo jeito com que ele lapidou a língua a favor da sua origem rural e por ter traduzido em vida e em cor o Mato Grosso como ninguém. Justamente por ser tão particular, tornou-se universal. No poema intitulado Soberania, disse-nos o poeta:

“… Botei um pouco de inocência na erudição. Deu certo. Meu
olho começou a ver de novo as pobres coisas do
chão mijadas de orvalho. E vi as borboletas. E
meditei sobre as borboletas. Vi que elas dominam
o mais leve sem precisar de ter motor nenhum no
corpo. (Essa engenharia de Deus!) E vi que elas
podem pousar nas flores e nas pedras sem magoar as
próprias asas. E vi que o homem não tem soberania
nem pra ser um bentevi”

A atitude de “botar um pouco de inocência na erudição” é justificada, em versos anteriores do poema, pelo impacto que uma ideia causou ao poeta. Ele ficou “alcandorado” quando leu que “a imaginação é mais importante do que o saber”, famosa frase de …

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