Blues do Funeral / Funeral Blues – W.H. Auden

Blues do Funeral 
Tradução: Murilo Rafael. 

O cão, por algum osso, se conforte,
aquietem-se relógio e telefone.
Não mais pianos… Venha o som da morte
com o féretro que a todos emocione.

O rastro de aviões qual borboleta
escreva “ele morreu” em nuvens puras.
Vistam os pombos de gravata preta
e os guardas usem luvas muito escuras.

Ele era leste, oeste, norte, sul,
minha canção e a voz, a noite e o dia,
o tempo de trabalho e o tempo azul.
Até o amor se acaba e eu não sabia.

Nenhuma estrela esteja em nossos planos.
Sol e lua se apaguem num instante.
Acabem-se florestas e oceanos.
Pois nada bom virá de agora em diante.

Funeral Blues

Stop all the clocks, cut off the telephone,
prevent the dog from barking with a juicy bone,
silence the pianos and, with muffled drums,
bring out the coffin, let the mourners come.

Let airplanes circle moaning overhead
scribbling on the sky the message: he’s dead.
Put crepe-bows round the white necks of the public doves,
let the traffic policemen wear black cotton gloves.

He was my North, my South, my East and West,
my working week, my Sunday rest,
my noon, my midnight, my talk, my song.
I thought that love would last forever; I was wrong.

The stars are not wanted now, put out every one.
Pack up the moon, dismantle the sun.
Pull away the ocean and sweep up the wood.
For nothing now can ever come to any good.

W.H. Auden

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