Denotação e Conotação

SIGNO E CONTEXTO

Embora não nos pareça, devido à facilidade com que nos comunicamos, a linguagem verbal é extremamente complexa e cheia de possibilidades. Pelo fato de as línguas serem fenômenos sociais, as palavras carregam os valores de uma sociedade e caracterizam a forma específica com que ela enxerga o mundo à sua volta. Tudo isso tem relação com os diferentes usos da língua.

Em todo processo comunicativo, é sempre necessário destacar a existência do contexto. O contexto, de forma resumida, seria o conjunto de informações extralinguísticas de que os falantes dispõem no momento em que se comunicam. Portanto, o significado das palavras depende de fatores externos, como a relação de intimidade entre os falantes, os conhecimentos históricos sobre determinado tema ou a situação comunicativa específica.

A palavra, como signo linguístico, é composta por um significante (ou imagem acústica) e por um significado (conceito). Por exemplo, ao lermos ou pronunciarmos a palavra “casa”, somos imediatamente direcionados ao que tal signo representa, isto é, ao que entendemos por “casa”. Nesse caso, a grafia ou o som seriam os significantes que nos levaram ao conceito: lugar onde uma família reside.

DENOTAÇÃO E CONOTAÇÃO

Quando utilizamos uma palavra em seu sentido literal, isto é, no sentido em que ele é definido no dicionário, dizemos que a linguagem apresenta sentido denotativo. A denotação é objetiva e refere-se ao uso convencional da língua.

Dissertações, ensaios, artigos científicos, bulas de remédio são exemplos de textos em que prevalece o sentido denotativo.

Muitas vezes, por razões diversas, uma palavra pode assumir um sentido diferente do habitual.  O sentido conotativo ocorre justamente quando uma sentença pode ser interpretada de mais de uma maneira, devido à associação valorativa que podemos estabelecer com outros conceitos possíveis. A conotação é, desse modo, subjetiva e refere-se ao uso figurativo (não literal) da língua.

O sentido conotativo prevalece sobretudo em textos poéticos ou quando usamos figuras de linguagem, como a metáfora, a hipérbole ou a metonímia. O objetivo é dar maior expressividade ao que queremos dizer.

Para que fique claro, vamos analisar os exemplos abaixo.

Exemplo 01:

O doce de maçã estava muito saboroso.
Ele era um doce de criança.

Na primeira frase, doce é usada em sentido literal e se refere a uma sobremesa. Na segunda frase, entretanto, a palavra é usada em sentido conotativo como um meio de dizer que a criança era terna (relação associativa à qualidade do doce).

Exemplo 02:

O homem parou para remover uma pedra do sapato.
Matemática sempre me foi uma pedra no sapato.

Na primeira frase, a expressão pedra no sapato é usada em sentido literal: realmente havia uma pedra no sapato do homem (e ele precisou retirá-la). Na segunda frase, entretanto, a expressão é usada em sentido conotativo como um meio de dizer que Matemática sempre foi difícil, um incomodo para mim (associação ao incômodo causado por uma pedra no sapato).

Compartilhe conhecimento...