Figuras de Linguagem – Figuras de Palavra e de Pensamento

As figuras de linguagem são recursos expressivos que utilizamos para dar ênfase ao que queremos dizer, para transformar o sentido das palavras ou mesmo para produzir musicalidade. Existem várias figuras de linguagem, cada uma com um efeito específico, e muitas delas exploram o sentido conotativo.

Como as figuras de linguagem rompem com a lógica comum das frases, sintática e/ou semanticamente, é natural que elas sejam bastante utilizadas em textos poéticos, como poemas e canções. Estão presentes também na linguagem publicitária e, é claro, em nosso cotidiano.

As figuras de linguagem, a depender de suas características, dividem-se em quatro grupos: figuras de palavra, figuras de pensamento, figuras de construção e figuras de som. Abaixo, falaremos sobre as figuras de palavra e de pensamento.

FIGURAS DE PALAVRA

Metáfora: é a associação entre dois conceitos em decorrência de alguma semelhança entre eles. Trata-se de uma comparação implícita, sem a presença de conectivo.

Ex.: “Amor é fogo que arde sem se ver,
É ferida que dói e não se sente…”  (Luís Vaz de Camões/Amor é um fogo que arde sem se ver)

Catacrese: é a utilização de uma palavra em sentido diferente do habitual, mas, em virtude do uso reiterado, não notamos a estranheza.

Ex.: pé da mesa, braço da cadeira, maçã do rosto etc.

Metonímia: parecida com a metáfora, é a associação entre dois conceitos em decorrência de uma relação lógica entre eles. Nessa figura, utilizamos uma palavra para designar outra e geralmente substituímos a parte pelo todo, o autor pela obra, o produto pela marca…

Exemplo 01: Preciso ler Machado de Assis. (troca da obra pelo autor; na verdade, preciso ler uma obra de Machado de Assis)

Exemplo 02: O bombril acabou. (troca do produto pela marca; na verdade, a esponja de aço acabou).

Antonomásia ou Perífrase: uso de uma expressão caracterizadora, que facilmente define um nome próprio, para se referir a ele.

Ex.: o rei do futebol (para se referir a Pelé); o boca do inferno (para se referir a Gregório de Matos); a cidade maravilhosa (para se referir ao Rio de janeiro).

Sinestesia: figura caracterizada pela mistura de sensações relacionadas a diferentes órgãos dos sentidos.

Ex.: voz macia (voz = audição; maciez: tato); cheiro doce (cheiro = olfato; doce: paladar).

FIGURAS DE PENSAMENTO

Hipérbole: figura caracterizada pelo exagero enfático de uma ideia.

Ex.: Morrer de rir, ler milhares de vezes, chorar rios de lágrimas.

Antítese: figura caracterizada pela utilização de palavras ou ideias de sentido oposto.

Ex.: “Às alegrias juntam-se as tristezas,
E o carpinteiro que fabrica as mesas
Faz também os caixões do cemitério!” (Augusto dos Anjos/Contrastes)

Ironia: é a utilização de um termo (ou expressão) com o intuito de dizer o contrário do que ele significa. Muitas vezes o sarcasmo e o humor acompanham a ironia, assim como a antítese.

Ex.: Não existe trabalho ruim. Ruim é ter de trabalhar (Seu Madruga, personagem do seriado Chaves).

Eufemismo: é a utilização de uma expressão mais branda para atenuar o peso de uma expressão desagradável.

Ex.: faltar com a verdade (em lugar de “mentir”); bater as botas (em lugar de “morrer”).

Apóstrofe: é a invocação emotiva de uma pessoa ou entidade com uso de vocativo:

Ex.: “Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio.” (Ricardo Reis/Vem sentar-te comigo, Lídia, à beira do rio)

“Senhor Deus dos desgraçados!
Dizei-me vós, Senhor Deus!
Se é loucura… se é verdade
Tanto horror perante os céus!(Castro Alves/O Navio Negreiro)

Gradação: é a expressão de uma ideia em ordem ascendente (clímax) ou descendente (anticlímax).

Ex.: “Tudo era apenas uma brincadeira
e foi crescendo, crescendo, me absorvendo
e de repente eu me vi assim completamente seu…” (Peninha/Sonhos)

Personificação ou Prosopopeia: é a atribuição de predicados próprios dos seres vivos (principalmente dos humanos) a seres inanimados, desde objetos do nosso cotidiano a elementos da natureza.

Ex.: “A luaolhou pro sol,
a chuva abençoou…” (Gonzaguinha/Lindo lago do amor)

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