Gêneros Literários

Tradicionalmente a designação de gêneros literários diz respeito à tentativa de reunir as diversas produções literárias, por meio de suas características comuns, em três grandes grupos: o épico, o lírico e o dramático. Grosso modo, poderíamos admitir que todo texto literário teria uma inclinação para algum dos três gêneros e, por consequência, poderia ser associado a um deles.

Embora a literatura seja essencialmente plural, esses três grupos levam em conta os aspectos formais e funcionais dos textos literários e tornaram-se básicos para a sua interpretação, ainda que muitas vezes haja subdivisões (ou subgêneros). É comum, entretanto, existir textos com características de mais de um gênero.

A definição dos gêneros épico, lírico e dramático foi proposta ainda na Grécia Antiga e é atribuída aos filósofos Aristóteles e Platão. Vejamos as características de cada gênero.

GÊNERO ÉPICO

O gênero épico está diretamente ligado à abordagem de acontecimentos históricos, ao relato de um enredo situado num tempo e espaço determinados, seja ele ficcional ou não. Em geral, engloba textos mais objetivos, com um narrador descrevendo feitos do passado, e gira em torno de personagens. Muitas vezes o gênero épico faz menção às chamadas epopeias (narrativa histórica feita em versos sobre um acontecimento muito importante do passado de um povo). É o caso, por exemplo, da Ilíada e da Odisseia, ambas de Homero; e de Os Lusíadas, de Camões.

Devido às características descritivas citadas acima, o gênero épico é atualmente também chamado de narrativo, justamente pelo fato de muitos textos apresentarem: foco narrativo, enredo, personagens, tempo, espaço, conflito, clímax

Pertencem, portanto, ao gênero épico textos narrativos de diversas estruturas, como o romance, a crônica, o conto, a fábula, a novela e o ensaio. Assim como as epopeias, esses modelos textuais podem ser vistos como subgêneros do gênero épico/narrativo. Excetuando-se as epopeias, podemos perceber que os textos desse gênero são escritos em prosa.

GÊNERO LÍRICO

Aqui temos o gênero diretamente relacionado à poesia, isto é, à linguagem subjetiva e figurativa. O autor expõe seus sentimentos e emoções de forma individual, por meio de figuras de linguagem e de recursos estilísticos, como as rimas e a métrica. Podemos perceber nessas produções um esmero muito grande com a palavra e a possibilidade de transmitir sensações que surgem do interior do eu-lírico.

Existe uma variedade de textos poéticos e de meios de expressão, cada um com suas características. Temos, pois, como subgêneros: o soneto, a ode, o hino, a sátira, a elegia, o haicai, dentre outros. O que mais se destaca no gênero lírico é o soneto – produção poética com catorze versos (geralmente decassílabos ou alexandrinos) organizados em quatro estrofes (dois quartetos e dois tercetos). De Gregório de Matos a Drummond, podemos dizer que a grande maioria dos poetas brasileiros valeu-se do soneto como meio de expressão. Até mesmo depois Modernismo, onde se difundiu o “verso livre”, o soneto continuou vivo em nossa literatura.

Vale salientar que, embora prioritariamente o gênero lírico apresente textos em versos, há produções em prosa com características muito semelhantes que podem ser associadas a este gênero.

GÊNERO DRAMÁTICO

O gênero dramático liga-se diretamente aos textos escritos para serem encenados por atores. A palavra “drama” já nos remete de antemão a uma peça de teatro. O texto dramático, ao que tudo indica, surgiu na Grécia Antiga como um meio de cultuar os deuses gregos.

É necessário para a organização da peça que o acontecimento (descrito no drama) seja adaptado na forma de um roteiro, que contém indicações cênicas e informações sobre como os atores devem encenar cada fala, além de ser dividido em atos.

Dois tipos de peças teatrais que tradicionalmente integravam o gênero dramático são a tragédia (encenação de um acontecimento trágico) e a comédia (encenação de um acontecimento cômico).

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