Musicais: Os Saltimbancos Trapalhões

OS SALTIMBANCOS TRAPALHÕES (Brasil, 1981)
Direção: J. B. Tanko
Roteiro: J. B. Tanko e Gilvan Pereira (baseado na peça teatral Os Saltimbancos, de Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov, com tradução e adaptação de Chico Buarque)
Música: Chico Buarque, Sergio Bardotti e Luis Enríquez Bacalov
Elenco: Renato Aragão, Dedé Santana, Mussum, Zacarias, Lucinha Lins

Fruto da improvável parceria entre Chico Buarque e Os Trapalhões, Os Saltimbancos… alia a singeleza da trupe (em seus tempos áureos) ao brilhantismo das canções.

A trama é simples e segue uma lógica semelhante à da peça teatral em que se inspira – e muito semelhante, em alguns aspectos, à do enredo de O Circo (1928), de Chaplin: quatro amigos humildes (Didi, Dedé, Mussum e Zacarias) trabalham como ajudantes em um circo e, por conta de suas trapalhadas, acabam se tornando a atração principal. O Barão (Paulo Fortes), dono do circo, se aproveita da situação e explora o talento cômico dos rapazes sem lhes pagar um só centavo. Enquanto isso, Didi se apaixona por Carina (Lucinha Lins) – a filha do Barão –, enfrenta um rival e dois vilões.

História de uma gata, interpretada por Lucinha Lins no picadeiro, remete diretamente à história original: Lucinha é a gata, Didi e Dedé dividem a fantasia do burro, Mussum é o cachorro e Zacarias, a galinha.

Piruetas, cantada por Chico (que, no entanto, não participa do filme) e Os Trapalhões, é uma graça: “uma pirueta, duas piruetas/ bravo! bravo!/ superpiruetas, ultrapiruetas/ bravo! bravo! (…)/ no intervalo tem cheirim de macarrão/ e a barriguis ronca mais do que um trovãozis!”. O mesmo se pode dizer de Hollywood, o único número com direito a uma sequência totalmente fantasiosa – Lucinha canta em um cabaret e Didi duela com um cowboy americano: “ói nóis aqui! ói nóis aqui!/ Hollywood fica ali bem perto/ só não vê quem tem um olho aberto”.

Duas canções, por sua beleza, merecem destaque especial: Alô, liberdade, na voz infantil de Bebel Gilberto, que serve de trilha para a fuga dos saltimbancos (“alô, liberdade/ levanta, lava o rosto, fica em pé/ como é, liberdade?/ vou ter que requentar o teu café…”), e Minha canção, cantada por Lucinha enquanto os saltimbancos dormem na rua, na primeira noite após a fuga (“doce a música/ silenciosa/ larga o meu peito/ solta-se no espaço/ faz-se certeza/ minha canção/ réstia de luz/ onde dorme o meu irmão”).

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