Poemas de Gregory Orr

Gregory Orr nasceu em Albany, Nova Iorque, em 1947. Autor de onze livros de poesia, além de um livro de memórias e diversos ensaios, Orr é considerado por muitos um mestre na escrita de poemas curtos e líricos.

Sua vida é marcada por eventos traumáticos, que moldam também sua poesia: aos doze anos, é responsável por um acidente de caça no qual morre seu irmão mais novo; dois anos depois, sua mãe falece inesperadamente.

Transformando trauma em arte, Gregory Orr faz poemas concisos, imagéticos e musicais. À aparente simplicidade dos versos, subjaz algum mistério melancólico que, por vezes, vem à tona em breves epifanias.

Love Poem

A black biplane crashes through the window
of the luncheonette. The pilot climbs down,
removing his leather hood.
He hands me my grandmother’s jade ring.
No, it is two robin’s eggs and
a telephone number: yours.

Poema de Amor

Um biplano preto atravessa a janela
da lanchonete. O piloto desce,
tirando o capuz de couro.
Ele me entrega o anel de jade da minha avó.
Não, são dois ovos de tordo e
um número de telefone: o seu.

Lines Written in Dejection, Oklahoma

I have never lived on the reservation.
Let me put it this way: in the web of my hands
I hold an egg of air.
When the girl gets off the train
I will be alone. Only myself and
the moon with its rivers and thorns.

For me there is no getting off.
The river writes my name on its side.
The train with my name on it races
over the dark fields. And the Indian
silhouetted against the ridge
lifts his pony, flings it at the moon.

Versos Escritos em Desolação, Oklahoma

Nunca morei na reserva.
Deixe-me dizer assim: na teia de minha mãos
seguro um ovo de ar.
Quando a moça sair do trem,
estarei só. Apenas eu e
a lua, com seus rios e espinhos.

Para mim não há saída.
O rio escreve meu nome em sua margem.
O trem com meu nome corre
pelos campos escuros. E o índio
desenhado nas montanhas
ergue seu cavalo, lança-o à lua.

Daffodil Poem

I remember the cloud on its blue bicycle
gliding over the leaves under the bare branches.
You and I were walking.
You wore your long green dress
with the hem frayed so the loose threads
seemed like tiny roots.
We were holding hands when my hand
became a yellow scarf
and you stood waving it slowly.
I stepped off the train in Pennsylvania,
just as it began to snow.

Poema do Narciso

Lembro-me da nuvem em sua bicicleta azul
planando sobre as folhas sob os galhos nus.
Você e eu caminhávamos.
Você usava seu longo vestido verde
com a fímbria rasgada: os fios soltos
eram raízes minúsculas.
Nos dávamos as mãos quando minha mão
virou um lenço amarelo
e você o agitou no ar lentamente.
Desci do trem na Pensilvânia,
justo quando começava a nevar.

The Builders
for Trisha

Midnight: the field becomes white stone.
We quarry it. We carry the cut squares
strapped to our backs.

On the side of a bleak hill
we build our hut: windowless,
but filled with light.

Os Construtores
para Trisha

Meia-noite: o campo se torna pedra branca.
Nós a lavramos. Levamos os pedaços
atados às costas.

Na encosta de um morro triste,
fazemos nossa cabana: sem janelas,
mas cheia de luz.

Poemas extraídos de ORR, Gregory. The Caged Owl: New and Selected Poems. Port Townsend: Copper Canyon Press, 2002.

Tradução: Ana Santos

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