Resumo do Texto “Mercados que Desglobalizam: o Cinema Latino-americano como Minoria”

Texto: CANCLINI, Nestór García. Mercados que desglobalizam: o cinema latino-americano como minoria. In: ______. Diferentes, desiguais e desconectados: mapas da interculturalidade. Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 2005.

RESUMO LIVRE

O texto trata, em linhas gerais, da articulação de três fatores: o aspecto excludente do processo globalizante; a conversão de conjuntos populacionais majoritários em minorias (no contexto global); e a distinção entre minorias demográficas e minorias culturais. O autor discute tais ideias por meio da análise da circulação e aceitação de produtos culturais “minoritários” (em especial dos cinematográficos) no âmbito transnacional.

Canclini comenta, por exemplo, a falência de editoras e gravadoras latino-americanas, sua aquisição por oligopólios europeus e estadunidenses e a consequente “pasteurização” de produtos literários e musicais com vistas à sua absorção pelo mercado global: grosso modo, as diferenças regionais são ignoradas e apenas artistas de audiência massiva (que representam somente um dentre os diversos aspectos da cultura de determinado país) têm vez transnacionalmente. Ainda sobre o mercado musical, Canclini menciona o fato de grandes gravadoras estrangeiras serem as detentoras dos direitos sobre canções que integram o patrimônio cultural brasileiro.

A maior parte do texto, no entanto, é dedicada a examinar os fatores envolvidos no predomínio mundial do cinema hollywoodiano e seu controle sobre a produção, a distribuição e a exibição em mais de cem países. Da mesma forma, Canclini aponta a “autossatisfação” dos americanos com sua cultura, o que causaria falta de interesse pelos bens artísticos de outros países. A grande ironia, segundo ele, reside no fato de um processo semelhante (rejeição a filmes não hollywoodianos) ocorrer em várias outras nações, mesmo naquelas com significativa produção própria, como é o caso do Brasil. À fácil aceitação dos filmes de Hollywood soma-se o fato de a indústria cinematográfica estadunidense criar “barreiras de entrada” para competidores de outros países, não só nos Estados Unidos como também no exterior.

Uma possível solução para o problema, segundo Canclini, seria aumentar o número de coproduções entre países que são normalmente desfavorecidos no circuito global. Em outras palavras, a máxima “a união faz a força” parece ser a alternativa mais viável contra a hegemonia estadunidense.

IDEIAS PRINCIPAIS

– Minorias demográficas X minorias culturais – tanto nacional quanto globalmente, o poder financeiro e ideológico é exercido por uma elite que representa uma parcela muito pequena da população. Desse modo, maiorias demográficas se convertem em minorias culturais, no sentido de que são postas à margem do processo globalizante

– Decisões sobre expressões culturais de países latino-americanos tomadas por oligopólios estadunidenses e europeus

– Redução de cinematografias historicamente significativas (a francesa, a alemã, a russa) a expressões minoritárias em face da hegemonia hollywoodiana

– Sintonia entre o gosto do público latino-americano e o estilo do cinema estadunidense (filmes de ação)

– “Punições” aplicadas pelas distribuidoras americanas a salas nacionais que exibem filmes não estadunidenses

– Diversidade cultural e reconhecimento das minorias como requisitos para que a globalização seja mais inclusiva

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