Resumo do texto “Photoshop pela Democracia”

Obra: JENKINS, Henry. Cultura da Convergência. São Paulo: Aleph, 2008.

Texto: Photoshop pela Democracia.

Apresentação

O autor nos apresenta em “Photoshop pela Democracia” inúmeros exemplos de como as instituições ditas “arraigadas” cada vez mais se influenciam pelas comunidades de fãs alternativas e pelos elementos da cultura popular visando à adaptação a uma nova época, baseada na convergência de mídias e na inteligência coletiva.

O advento da internet e o seu consequente uso para a realização de funções sociais prenunciaram um novo paradigma na comunicação. Questiona-se então de que maneira esses fatores interferiram no processo eleitoral americano de 2004 e no próprio exercício da democracia, a partir de “uma mudança no papel do público no processo político, aproximando o mundo do discurso político das experiências de vida dos cidadãos”. Daí pode-se falar, em suma, na substituição do conceito do cidadão individualmente informado pelo conceito cooperativo de cidadão monitor.

Jenkins detalha como as novas mídias foram utilizadas na escolha de um presidente nos Estados Unidos e mais precisamente realça a influência da cultura popular na consolidação desse processo. Fatores como acesso, participação, reciprocidade e comunicação ponto a ponto caracterizam a nova mídia e não seria exagero afirmar que configuram um novo modelo de democracia.

A Revolução Não Será Televisionada

É importante destacar um dos tópicos do texto em análise (A Revolução Não Será Televisionada). Nele, Jenkins reproduz algumas declarações de Joe Trippi – diretor da campanha do candidato Howard Dean. Fala-se no “ponto de virada”, onde a política da televisão deu lugar à política da internet. Mesmo que a mídia digital não tenha obtido a vitória, ela alterou profundamente a natureza do debate. Vale frisar no que Trippi interpreta como a “era da delegação do poder”, em que o cidadão médio desafia o poder das instituições arraigadas, por meio da revolução digital. De igual modo, os triunfos da campanha de Dean se devem a união da política televisa à política digital – o que Jenkins define como política de convergência.

Outra ideia interessante diz respeito à importância da internet para a formação de uma base de aliados na campanha. Enquanto essa mídia reúne militantes, que buscam informações mais específicas, a televisão atrai um público geral, de indecisos. Por esse prisma, pode-se dizer que, mesmo que a internet seja relevante, o papel da televisão ainda é mais decisivo. Convém então apontar a distinção entre push media (mídia empurrada), que é lançada ao público independente da sua escolha, e pull media (mídia puxada), que é voltada àqueles que têm interesse ativo em informações sobre determinado assunto.

Novas Mídias e Democracia

Em síntese, os principais argumentos apresentados no texto nos levam a refletir sobre como a mídia contemporânea, influenciada por tendências da cultura popular, tem conduzido uma profunda mudança no processo político. A internet, por exemplo, abre caminhos para a inserção dos jovens no discurso político, com base nos mesmos princípios com que eles adentram as comunidades sociais.

Os programas de entretenimento, de igual maneira, parecem atrair ainda mais esse público para o debate político, mesmo que indiretamente, em detrimento da informação – muitas vezes tendenciosa e limitada – do jornalismo tradicional. Pode-se falar, ainda, no Photoshop – programa de edição de imagens, que tem sido bastante utilizado nas campanhas como manifesto político. O mesmo ocorre com a experiência realizada no jogo The Sims Online, onde personagens fictícios residem em comunidades, muito semelhantes às da vida real. No jogo, houve uma eleição virtual bastante polêmica, capaz de provocar debates e reflexões de suma importância para a consciência política dos participantes.

Ideias Principais

– Enfoque nas tendências contraditórias e conflitantes da mídia contemporânea: o ciberespaço aumenta o número de informações ao mesmo tempo em que os velhos meios de comunicação se fortalecem; estreitamento da variedade de informações por parte dos canais mais abrangentes.

– Análise da relação opositiva e complementar entre os dois sistemas de mídia utilizados na nova cultura política: um, de radiodifusão e comercial, o outro, voltado a um público menor e alternativo.

– A relação complementar entre os sistemas citados acima pode ser justificada pelo seguinte: enquanto a radiodifusão fornece a cultura comum, a web veicula canais mais adaptados para a reação a essa cultura. Por isso grande parte dos conteúdos da internet chama a atenção do público por satirizar ou parodiar algum evento cotidiano da mídia comercial.

Comentários

A abordagem de Jenkins enaltece o potencial emergente das novas mídias, que não só ampliam a quantidade e a qualidade da informação, mas também podem fortalecer o exercício da democracia.

Se por um lado, não se tem a certeza de que a “delegação do poder” a um público alternativo será necessariamente positiva, uma vez que o próprio uso desse poder deve também ser repensado, por outro, a utilização das novas ferramentas, pela “diversão séria”, parece ser o primeiro passo para um tempo vindouro de maior convergência.

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