Revolução Francesa

A Revolução Francesa foi uma das mais representativas manifestações sociais do mundo moderno. Dentre as importantes conquistas atribuídas a ela, destaca-se a transição do Antigo Regime (Feudalismo) para o capitalismo burguês. Do ponto de vista social, a Revolução Francesa foi de suma importância para o estabelecimento dos princípios fundamentais do homem, baseados nos ideais de liberdade, igualdade e fraternidade.

O Antigo Regime

A sociedade francesa, por volta de 1774 (ano em que Luís XVI assume o trono), estava estruturada da seguinte maneira: Primeiro Estado (clero), Segundo Estado (nobreza) e Terceiro Estado (burgueses, camponeses e o restante da população). Essa divisão era hierárquica, nos moldes do feudalismo europeu. Contudo, com o passar dos anos, estes três grupos sociais desenvolveram pequenas ramificações internas que ajudariam a construir o cenário ideal para a eclosão da revolução.

O clero francês estava dividido em dois segmentos: alto e baixo clero.  O alto clero tinha uma ligação mais forte com a nobreza, desfrutando de maiores privilégios. O baixo clero possuía um padrão de vida mais próximo da burguesia e dos camponeses. Tais diferenças fizeram com que o Primeiro Estado “rachasse”, criando duas correntes de pensamento divergentes: uma que apoiava o conforto do Antigo Regime; outra que simpatizava com os ideais revolucionários burgueses.

A nobreza, que representava o Segundo Estado, também estava dividida. Havia a nobreza palaciana, que, por estar intimamente relacionada à família real, desfrutava de maiores regalias; a nobreza provincial, que era formada pelos senhores feudais; e a nobreza de toga, formada por burgueses que haviam comprado títulos de terra e tinham de desenvolver seus negócios para terem uma fonte de renda.

Contexto histórico e político

A França pré-revolução apresentava um cenário social conturbado e uma economia fragilizada. Após algumas derrotas militares e o fortalecimento econômico de nações rivais, em especial a Inglaterra, o estado francês nomeou um fisiocrata chamado Turgot para o cargo de controlador geral das finanças francesas. Turgot, entre outras medidas, sugeriu o pagamento de impostos por parte do clero e da nobreza, para que fosse possível equilibrar as finanças do país. Imediatamente, o Primeiro e o Segundo Estados manifestaram o seu descontentamento com a sugestão de Turgot, que se viu impotente e demitiu-se do cargo.

Para o lugar de Turgot foi nomeado um banqueiro chamado Necker. Este, por sua vez, provocou uma grande agitação popular ao publicar os gastos anuais do clero e da nobreza, gastos que eram maiores do que a receita gerada pelo estado inteiro. Vale ressaltar que o Primeiro e o Segundo Estados representavam apenas, em média, 1% da população.

Após Necker, Calonne assume o ministério das finanças. Ele tenta implantar uma reforma semelhante aos seus antecessores e encontra o mesmo fim: o afastamento do cargo. A crise se agravou tanto que o rei Luís XVI, em 5 de maio de 1789, convocou os Estados Gerais – assembleia que reunia os três estados para discutir os rumos da nação. Acontece que, no processo de votação, clero, nobreza e burguesia (juntamente com as demais classes) possuem um voto cada um, garantindo o poder decisório nas mãos do Primeiro e Segundo Estados (minoria da população).

As Jornadas Revolucionárias

A Primeira Jornada Revolucionária foi decorrente do fracasso, do ponto de vista burguês, dos Estados Gerais. Foi convocada uma Assembleia Nacional que visava ao estabelecimento de uma Constituição Francesa. Neste mesmo período, foi realizado um ataque ao arsenal da guarda real, que serviu para armar a população civil do Terceiro Estado.

Em 14 de julho de 1789, o povo armado invadiu a fortaleza e prisão política da Bastilha, libertando presos revolucionários e subjugando o poder bélico do estado monárquico. Este evento ficou conhecido como a Segunda Jornada Revolucionária.

Praticamente um mês após a tomada da Bastilha, ocorreu a Terceira Jornada Revolucionária, uma Assembleia Nacional que aboliu todos os privilégios da nobreza e do clero. Este evento ficou conhecido como o Grande Medo.

A Quarta Jornada Revolucionária, decisiva em todo o processo revolucionário, culminou na invasão do Palácio de Versalhes e na captura do rei Luís XVI. Este ato tinha por objetivo impedir alguma ação antirrevolucionária por parte da nobreza.

A estabilização do Estado Republicano

Apesar da vitória sobre o clero e a nobreza, o Terceiro Estado tinha que administrar um país financeiramente falido e socialmente conflituoso. Dentre diversos problemas administrativos, o Terceiro Estado se dividiu entre interesses de grupos particulares. A alta burguesia conseguiu estabelecer o voto censitário, onde apenas os grandes produtores e arrecadadores de impostos teriam o poder de voto. Dentro desta elite com poder decisório, encontravam-se os feuillants (burguesia financeira) e os girondinos (burguesia comercial e industrial). O restante dos representantes sociais era formado pelos jacobinos (pequena burguesia) e pelos cordeliers (camadas populares).

Neste primeiro momento, apenas a alta burguesia foi beneficiada, conseguindo, por exemplo, estabelecer a Lei Le Chapelier, que proibia greves e manifestações de trabalhadores. Logo surgiram opiniões contrárias a alguns pontos da constituição, sendo necessária a convocação de uma Assembleia Legislativa.

A vitória popular na França ameaçava a ordem social dos países monárquicos vizinhos. Este clima de desconfiança gerado na nobreza de estados vizinhos, como Áustria e Prússia, resultou em conflitos como a Batalha Walmy. Os sans-cullotes, camada social formada pela parcela mais popular do país, foram de fundamental importância para a vitória francesa e estabelecimento do novo regime. Após a batalha, uma nova Constituinte foi convocada (Convenção) e ocorreu a Proclamação da República. O símbolo máximo da independência republicana veio com o julgamento e a condenação à morte na guilhotina de Luís XVI, em 21 de janeiro de 1793.

O Pós-Revolução

Após as conquistas, os sans-cullotes passaram a ser respeitados e temidos pelo seu radicalismo. Os jacobinos, camada burguesa mais próxima dos sans-cullotes, assumem a liderança da revolução e instauram um período marcado por uma política firme e mais democrática, simbolizada pelo grande número de execuções públicas dos chamados inimigos da revolução.

Divergências internas entre os jacobinos proporcionaram, em 1794, um golpe político por parte da alta burguesia. A volta da alta burguesia ao poder ocasionou um retrocesso democrático, com o retorno do voto censitário, por exemplo. Alem disso, diversas nações europeias que ainda mantinham regimes absolutistas constantemente atacavam a França, temendo a propagação dos ideais republicanos. Esses fatores, aliados aos antigos problemas econômicos, criaram um cenário político que mais tarde possibilitaria o golpe militar deflagrado pelo jovem general Napoleão Bonaparte.

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