Romantismo – Gerações Românticas

O Romantismo foi a primeira vertente literária ocidental a rejeitar o modelo clássico. Esta ruptura reflete uma busca por uma produção original, baseada em mitos próprios, e não em clichês e imitações. Também se rejeita o “normativismo” disciplinador da estética e as produções são norteadas fundamentalmente pela liberdade criativa.

Ainda como reflexo da ruptura anticlássica, nota-se a substituição dos temas universalistas por temas locais. Muitas vezes o Romantismo tende para a literatura tópica, com a análise da história, da paisagem e dos costumes regionais.

GERAÇÕES ROMÂNTICAS NA POESIA

1ª Geração (1836 – 1850)

Iniciada pela publicação de Suspiros Poéticos e Saudades (obra de temática religiosa e nacionalista), de Gonçalves de Magalhães, esta é a geração nacional-indianista, marcada pela mitificação da natureza (panteísmo), da pátria (nacionalismo) e do índio (indianismo), símbolo do espírito nacional em oposição à herança portuguesa.

Ocorre no contexto inicial do Romantismo, e, apesar de rejeitar a visão iluminista do homem racional, realçando o homem emotivo, psicológico e intuitivo, essa geração sofre influência de Jean-Jacques Rousseau na concepção do “mito do bom selvagem”. A independência do Brasil (1822) acaba por fortalecer o sentimento nativista. Os principais poetas foram Gonçalves de Magalhães e Gonçalves Dias.

Leia aqui a Canção do Exílio, de Gonçalves Dias.

2ª Geração (1850 – 1870)

Também denominada de Mal-do-século, Ultrarromantismo ou Byronismo (homenagem ao poeta Lord Byron, da Inglaterra), esta geração foi marcada pela desilusão, pelo egocentrismo, pelo narcisismo, pelo negativismo boêmio e pelo escapismo dos artistas.

O contexto histórico (frustração das promessas burguesas revolucionárias) reflete nessa atitude, pois ocasiona a desilusão em torno das mudanças sociais. Destacam-se os poetas Casimiro de Abreu, Álvares de Azevedo e Junqueira Freire.

Leia aqui um soneto de Álvares de Azevedo.

3ª Geração (1870 – 1881)

O seu marco inicial foi a publicação de Espumas Flutuantes de Castro Alves. É também conhecida como Geração Condoreira (alusão à altivez do pássaro condor) ou Hugoana (Influência de Victor Hugo, escritor francês) e é impregnada pela indignação e pela crítica social relacionada às lutas abolicionistas. A sua linguagem é declamatória, passional, marcada por hipérboles, metáforas e alegorias. Destacam-se Fagundes Varela, Tobias Barreto e principalmente Castro Alves.

Castro Alves (1847-1871)

Castro Alves, também conhecido como “o poeta dos escravos”, foi fundador da poesia social e engajada no Brasil e um dos mais legítimos representantes da atitude condoreira.

Leia O Navio Negreiro, de Castro Alves.

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