Introdução – Fotografia e Memória – Michelon

Eugène Pelletan (1855-59), Nadar

Se, em um tempo futuro, muito distante, só tivessem sobrado de nós vestígios e alguns deles fossem encontrados, e, entre esses, fotografias, pensemos que um fato seria possível: por meio delas, para os que as encontrariam, poderia se operar uma revelação. As fotografias diriam sobre quem fomos e como vivemos. Caso os habitantes do futuro encontrassem, por acaso, soterrado um arquivo de fotografias de guerra, quem sabe deduziriam a ignóbil condição daquela humanidade perdida e suspirariam de alívio pela nossa extinção. Se, ao contrário, o que encontrassem fossem álbuns de uma prosaica família, apreciariam crianças fotografadas, ao longo dos anos, sempre tão divertidas, cenas de trivial alegria.

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