Urbanização, Êxodo Rural e Segregação Espacial

O termo urbanização é comumente definido como o resultado do deslocamento da população da área rural para a área urbana. Na prática, uma região é considerada urbanizada quando possui mais pessoas na área urbana que na área rural.

A formação de centros urbanos, como se pode deduzir, está intrinsecamente relacionada ao desenvolvimento das sociedades, sobretudo pela evolução da ciência e da tecnologia. As regiões muito urbanizadas denotam a intensa ação do homem sobre o espaço natural, que se torna aparente se olharmos o leque de recursos e serviços que uma grande cidade concentra.

CONTEXTO HISTÓRICO E ÊXODO RURAL

O início da urbanização se deu a partir do século XVIII, quando ocorreu a Revolução Agrícola. A modernização da agricultura contribuiu bastante para a ocupação das áreas urbanas. Com a criação de novos equipamentos e a mecanização da produção, a mão de obra rural tornou-se menos necessária e assim se iniciava o desemprego no campo.

Algumas décadas depois, entretanto, é que a urbanização se consolidou, em virtude da Revolução Industrial. As emergentes indústrias transformaram as cidades em grandes polos de atração populacional, justamente pela oferta de emprego. Assim, um grande contingente da população rural, sem trabalho no campo, passou a migrar para as cidades em busca de melhores condições de vida. Esse quadro caracteriza o êxodo rural.

OS DIFERENTES TIPOS DE URBANIZAÇÃO

Como em outros fenômenos ligados à dinâmica social, a urbanização ocorreu de forma distinta nos países desenvolvidos e subdesenvolvidos. Os diferentes modelos tiverem resultados também diferentes e, por este motivo, é fundamental fazer a distinção.

Nos países centrais, do chamado primeiro mundo, a urbanização parece ter ocorrido de forma mais natural. O processo foi lento e planejado. Iniciou-se ainda no século XVIII. Nos países subdesenvolvidos, no entanto, o processo foi abrupto e descontrolado. Só se efetivou a partir de 1950 e a falta de organização trouxe uma série de problemas.

MAZELAS DA URBANIZAÇÃO E SEGREGAÇÃO ESPACIAL

A interferência do homem no espaço natural, intensificada com a urbanização, prejudica o meio ambiente de forma preocupante. Os grandes centros urbanos se estabelecem com a destruição de florestas e a atividade industrial libera gases poluentes à atmosfera. Esses são exemplos de consequências gerais.

Nos países subdesenvolvidos, como o Brasil, a urbanização sem planejamento tem resultados catastróficos, principalmente no aspecto social. O deslocamento de pessoas, em curto espaço de tempo, sobrecarrega as cidades – que não têm condições de acolher adequadamente o grande contingente populacional. Juntando esse fato à falta de investimento em políticas públicas efetivas, cria-se um cenário marcado pela exclusão social e outras mazelas, como a falta de moradias, o desemprego, a mendicância e a criminalidade. Assim, as metrópoles que, em tese, seriam sinônimo de progresso não oferecem os serviços básicos que tanto as definem (como infraestrutura, saúde, saneamento, educação) para grande parte da população.

A forte segregação social ocasiona também a segregação espacial. Nas cidades urbanizadas, os prédios de luxo, as vitrines luminosas dos shoppings e as bonitas avenidas dos bairros nobres muitas vezes convivem lado a lado com a realidade pobre dos morros e favelas, realçando o contraste entre riqueza e pobreza.

Não à toa, em Sampa (canção de Caetano Veloso), leem-se os versos “do povo oprimido nas filas, nas vilas, favelas/da força da grana que ergue e destrói coisas belas/da feia fumaça que sobe apagando as estrelas”, referindo-se a São Paulo, maior metrópole do Brasil.

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