Variação Sintática

Para compreendermos a variação sintática, é necessário, antes de mais nada,  que tenhamos noção do que seja a variação linguística. Dizer, destarte, que a língua varia é admitir que ela é heterogênea, isto é, possui um leque de possibilidades oriundas da heterogeneidade sociocultural de seus falantes. Portanto, podemos dizer que a língua é como um sujeito coletivo – que abrange um conjunto de peculiaridades.

PLURALIDADE SINTÁTICA E NORMA-PADRÃO

A variação sintática consiste nas diferentes formas de combinação de signos linguísticos para a formação de sentenças. É possível, tendo em vista a diversidade inerente às línguas naturais, a construção de inúmeros enunciados que possuam significação semelhante. Diversos fatores propiciam essas variações sintáticas – e elas estão diretamente relacionadas ao contexto comunicativo.

A realidade é que se tem a noção de que as gramáticas normativas conseguem abarcar a heterogeneidade da língua, o que é, logicamente, impossível. Por vezes, nas culturas letradas, confundem-se os conceitos de língua e norma-padrão.

A definição de uma norma única, desde a construção dos primeiros compêndios gramaticais, não levou em conta a diversidade linguística. Foram tidas como corretas construções sintáticas que, na verdade, não se baseiam em aspectos propriamente linguísticos, e sim na tradição literária e na forma com que falam determinadas comunidades que, por sua vez, ocupam as melhores condições nas camadas sociais. Nasce daí o preconceito linguístico em relação aos dialetos regionais ou das camadas populares. Linguisticamente, entretanto, não existe a ideia de formas “corretas” ou “erradas”.

EXEMPLOS DE VARIAÇÃO SINTÁTICA

Vejamos a seguir alguns exemplos de variações na estrutura sintática e um pouco das razões que as motivam.

EXEMPLO 01

a) Eu vi ele.
b) Eu o vi.

A frase presente em “a” é constantemente estigmatizada e vai de encontro ao padrão normativo. Para a gramática tradicional, os pronomes pessoais (do caso reto) não devem ocupar a posição de objeto direto. Nesse caso, deve-se usar o pronome oblíquo (como em “b”). Essa variação sintática tem motivação diafásica. Refere-se, portanto, ao grau de formalidade da ocasião comunicativa. A primeira frase é mais informal do que a segunda.

EXEMPLO 02

a) A Flávia é legal.
b) Flávia é legal.

Nos exemplos acima, percebemos uma variação sintática decorrente de uma variação regional (diatópica). Nos estados do nordeste, não é comum utilizar o artigo antes de nomes de pessoas – diferente do que ocorre nos estados do sul e sudeste.

EXEMPLO 03

a) Roubaram o carro dele.
b) Roubaram-lhe o carro.

Nesse exemplo aqui, temos um tipo de variação estilística. O pronome oblíquo “lhe” realiza a função de adjunto adnominal, atuando de forma semelhante a “dele”. Tal variação, rara hoje em dia (até mesmo na escrita), é comum na nossa tradição literária.

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